Oito minutos, oito segundos e sete clicks + o pertubador fim de Olavinho
Ele abre os olhos e se depara com sua cara no espelho, assustada, de uma confusão embriagadora, que deixa a cabeça vazia, branca. Percebe o banheiro, joga água na cara, se sacode, desperta, duvida.
Coloca o cachecol, escova os dentes, carrega a pistola, pega uma laranja…abre a porta para a rua, mecanicamente, como se fizesse aquilo todos os dias.
Cachorro morto.
Fecha os olhos, aperta-os por sete segundos, abre. Cachorro ensanguentado?
Estranho.
Volta para a casa. Fecha a porta, tira o cachecol, descasca a laranja, carrega a pistola, sai com os olhos fechados. Inspira profundamente e sente o cheiro podre do sangue seco e da decomposição. Sem abrir os olhos, entra em casa. Lava o cachecol, come a laranja, carrega a pistola, pega um chiclete e sai, decidido.
Cachorro morto. Ele não entende. Pára, pensa, olha ao redor. Agacha. Amarra o sapato, pega um graveto e cutuca o cachorro, inutilmente.
Dá um salto, coloca as mãos na cabeça. Grita, chora, gira no sentido anti-horário.
Entra em casa, pega o cachecol – molhado- as cascas da laranja, e a pistola carregada.
Sai de casa. Ele nunca fez isso tantas vezes.
Cachorro morto, duro, gelado, roxo, ensanguentado. Ele suspira, dá um berro, chuta o cachorro para uma posição mais estratégica. Sobe no telhado. Coloca o cachecol – pingando, calculadamente na beirada das telhas, com a metade da metade gentilmente balançando, solta no ar. Cospe o chiclete, enfia as cascas de laranja na boca e, lá do alto, dá quatro tiros no cachorro morto, um no vizinho e um na própria cabeça.
Um texto estranho, cujo autor é só alguém que já passou. Desculpem-me pelas coisas que se passam na minha cabeça.
“We all know Ob-La-Di Ob-La-Da
But can you show me, where you are?”
[09/06/08 - 04:04pm]