Eu tava sem inspiração, então eu escrevi essa história não muito inspirada.

 

Ela olhou pra ele e pensou por um momento num pensamento que ela já tinha pensado antes. E, num surto psicótico, ela atirou as cobertas para o lado e colocou um disco do Elvis na vitrola. Ela pulava no colchão jogado no meio da sala, dançando a música histérica que tocava enquanto passavam as letras do filme que eles já tinham assistido. Ele ria e tentava segurar suas pernas, mas ela realmente estava tendo um surto psicótico, e ela achava que dançando loucamente sem parar, e com os olhos fechados, ela poderia sair dalí para algum lugar distante, como Paris. Ele desistiu de tentar segurá-la e, enquanto ela continuava a pular desvairadamente, ele confabulava. “Eu sinto como se eu pudesse viajar no tempo com você, sabe…você me dá a sensação de não haver tempo nem espaço. Eu me sinto nos anos 60…em algum lugar que não é esse”. “Deve ser porque a gente TÁ nos anos 60″, ela caiu no colchão e ficou ali jogada, como se estivesse morta. “Eu acho que nós podemos chegar juntos no infinito…e aí a..”. Ela deu um berro de angústia que o fez parar de falar. “O que foi?”. “Eu acho que essa foi a coisa mais legal que já me disseram, mas… cala a boca, por favor! Nós não podemos chegar JUNTOS no infinito”, ela se sentou descabeladamente, e com a mão direita ela apertava o seu pulso esquerdo. “A gente pode sim…”, ele pegava na mão esquerda dela e afastava o cabelo de seu rosto, “eu acho que…eu amo você”. Ela puxou sua mão esquerda da mão dele num susto. “Não, não, por favor não”, ela dizia num tom de pré-choro-desesperado. “Você nem PODE me amar! Você nem me conhece!”, ela assustava o garoto. “Eu não preciso….olha, você não precisa surtar! Nem dizer nada! Eu só tô te dizendo o que eu sinto”. Ela foi se levantando, abriu as janelas e olhou para o céu. “Você não deve sentir isso. Desculpa, eu não queria….eu não posso pensar sobre isso agora, eu não consigo mais. Você nem devia estar aqui. Eu acho que eu não fui sincera o suficiente, eu não te contei tudo. Eu não posso. Eu não posso, eu não consigo! Tem uma coisa que me prende, e eu fico esperando. Esperando no infinito! É por isso que nós não podemos chegar lá juntos. Eu ainda me sinto presa a essa coisa, e me dá uma sensação ruim você aqui agora..”, ela dizia de costas para ele. “Então, eu acho que vou embora”. Ela não disse nada e não se virou, ela não ia suportar aquela cena de novo. Ela ouviu os passos de sempre, o mesmo barulho da porta se abrindo, mais passos, e o barulho insuportável da porta se fechando. Ela aumentou o som, porque ela não queria escutar ele indo embora. Não que ela estivesse triste por ele ir embora. Ela só estava cansada de gente indo embora. Ela chorava, enquanto o Elvis cantava “Love me tender”. Ela tinha azar na combinação de músicas com momentos. Foi então que ela decidiu, arrumou suas coisas e, sem deixar nenhum bilhete, ela se foi. Os mesmos passos, o mesmo barulho de porta se abrindo, mais passos…e agora era ELA que estava do outro lado da porta, e ela teve o prazer de ouvir o barulho insuportável da porta se fechando. Ela colocou os fones no ouvido, porque ela não queria escutar o som de mais alguém indo embora, mesmo que fosse ela. Ela saiu voando por aí, para o infinito e talvez até além, e ninguém nunca mais soube dela. Ela ficou conhecida como A-menina-que-foi-embora-depois-que-todo-mundo-já-tinha-ido. Anos se passaram e ninguém sabia o que havia acontecido. Porém todo mundo continuava dizendo “Ela não morreu”.  ∞

 

Essa foi a triste história das pessoas que precisam esperar morrer pra poder se libertar.

 

E vão em paz.

 

[25/07/2008 - 17:17h]