Primeiridade

August 18, 2009

Quando antes fosse. É que quando se percebe já não se é. E quando não se é, aquilo é (de algum jeito). De algum jeito mais distante.

Eu não era eu, porque eu não era nada. Eram só sensações. Sentia aquilo, vivia aquilo sem saber o que era, ou o porquê, ou o como, ou o onde, ou o por quem. E eu não precisava me perguntar nada disso, porque era aquilo em absoluto. Eu era aquilo. Eu era o amor, o próprio, o absoluto, o infinito, e só. O nada. Transbordando.

Mas, assim que o meu corpo pediu para que alguma daquelas perguntas fossem respondidas, eu percebi. E quando eu percebi, eu já não era mais. Aquilo estava ali, fora de mim, palpável, existente, pedindo uma ação, uma reação, uma consideração. E quando você precisa pegar, pensar, considerar…isso abre fendas. E o que era tão puro, aquilo que durou talvez milésimos de segundos… eu não sei.

E isso não quer dizer que o que resta não é de verdade. O que resta é o eco racional daquilo que era só sensação. O problema são as fendas da racionalidade, é isso. Eu sei que é. Eu quero que seja. Eu quero ser de novo. O primeiro, mais puro, mais original. O acaso. Quanto antes fosse.

É isso o que eu sinto, às vezes. Mas eu não consigo tocar.

Não responda perguntas

Não faça perguntas

Não fale com estranhos

One Response to “Primeiridade”

  1. gabrielneves Says:

    (porque às vezes eu acho que quando sentimos antes de enxergar é muito mais intenso – é que o olhar vicia, dá uma forma, e o sentimento é intenso, toma conta e caminha livremente – tamanho tem limite, peso, tudo, e quando só se sente, só se é, nada e infinito, embora me pareça sempre mais o infinito)

    mas será que não podemos
    será que é realmente possível

    andar, de olhos abertos, na direção da intensidade que buscamos?

    (sinto que posso – mas estarei certo?)


Leave a Reply