Todos os motivos pelos quais as pessoas ficam – último dia
February 19, 2010
Afundei a cabeça. Consigo respirar melhor agora. Meu corpo todo é leve, envolto pela sua ausência, e flutua. Tudo o que é matéria ficou nítido. Talvez ainda mais nítido do que o nítido de antes de ficar não-nítido. O fio, cuja uma das pontas estava ligada ao meu peito, arrebentou. Eu fiz arrebentar. Tive que tomar uma decisão radical de sumir com você. Foi talvez o momento mais dolorido da minha vida, em que eu dei uns 20 passos para trás. Chorei, coloquei a culpa de tudo em mim mesma, pensei um milhão de vezes que eu não queria fazer aquilo, senti o fio no meu peito repuxar até o insuportável. Até que arrebentou. E ficou doendo um tempo, acho que um dia. E depois os 20 passos que eu dei para trás viraram 40 para frente. A conclusão é que foi a coisa saudável mais triste que eu já fiz por mim mesma. Não quero ter que repetir isso nunca. Não quero também que seja definitivo. Eu só preciso de um tempo pra poder ir embora sem olhar para trás. Ainda tive que enfrentar o som do meu celular vibrando em cima da minha mesa, piscando a sua foto, enquanto eu andava pela casa, de um lado para o outro, com uma mão na cabeça e a outra no estômago, de tanto que eu passava mal, mal e mal, naqueles trinta segundos que aquilo deve ter durado. Nem sei, pareciam três horas. Foi também uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. Eu estou indo embora. Contemplo o último dia em que me resta aqui. Céu branco tempo nublado quente.
E é assim que estou deixando esse blog hoje. Pois ele faz parte do pacote de coisas que vão ficar para trás, bem para trás, pelo menos por algum (muito) tempo. Espero que ninguém o apague para sempre (existe essa possibilidade, esse blog nunca foi só meu).
Estou indo para:
http://icantexplainitwithout.wordpress.com/
Meu novo blog. Que agora é só meu. Porque precisa ser assim.