Como num sonho. Como num sono.
August 1, 2008
Tem areia nos meus olhos. Olhos de praia.
Mar salgado. Mar amor. Areia eu. Meus olhos
ardem com a luz laranja do pôr-do-sol de inverno
na praia. Eu não durmo. Eu não durmo. Meus olhos
ardem, vermelhos, com insolação. Eu esfrego, sai
uma água cinza…salgada. Mar maquiagem. Mar
maquilado. Areia do meu lado. Do meu fardo.
Eu não durmo. Acho que é o tempo seco,
que meus olhos ficam colados. Aquele
líquido que lubrifica minha retina
evapora…é o tempo seco. Arde.
Eu não durmo. Não tem mais
lágrimas. É o tempo seco.
Todo o dia de manhã, o
nascer-do-sol não tem
a cor do pôr-do-sol. Eu
vejo o sol nascer, com os
olhos caídos. Eu tenho sono.
Eu tenho sonho. Tem concreto
nos meus olhos. É áspero. Meus
olhos ardem. Eu não durmo… Eu
esfrego tudo, sai uma poeira. Doente.
Eu devo estar doente. Tem concreto nos
meus olhos, mas eu vejo tudo abstrato.
Batman mágico… Céu que escorre nos
prédios. Vinho com leite condensado.
Eu não durmo… Eu não durmo… Eu
acordo como se não tivesse dormido.
Talvez eu nem tenha dormido. Tô
cansada. Talvez eu nem tenha
acordado. Talvez eu fique
dormindo o dia inteiro.
Dormir é não dormir.
Quando é acordar? Eu
nem quero saber. Eu não
durmo. Meus olhos ardem!
Minha testa pesa. Eu tenho
que dirigir. Eu tenho que digerir.
Tá difícil digerir. Dirigir também.
Indigestão. Talvez eu vá até a praia.
Indireção. Eu quero dormir. Eu luto contra
as horas em que eu deveria estar apagada. Eu
acordo cansada. Eu assisto ao céu. É um filme
que eu vejo todos os dias… Quando eu tenho
insônia, jogo areia pro alto. Cai no meu olho.
Eu adoro a praia a noite. Eu não durmo. Mar
salgado. Mar gelado. Chuva na praia. Lava
a areia do mar. Eu sou a areia, o mar vem
…o mar vai. O mar vem de novo. Mar
turvo. Mar amor. Areia em mim. O
mar vai de novo. Mar amargo.
Nos meus olhos. Ardem. Eu não
durmo. Boca seca. Cabeça pesada.
Tem um buraco na areia da minha cabeça.
Passa água.Tem uma concha com o barulho do
mar. Me sinto na praia. É o vácuo. É o tempo
seco. Eu tenho sede. Eu sequei a areia da praia
e ninguém disse nada. Eu não durmo. O mar nunca
mais voltou. Eu não durmo. Eu não durmo. Tinha
sangue na areia da praia e ninguém fez nada.
Eu sequei a areia da praia e ninguém disse
nada. Recolhi toda a areia da praia e
ninguém viu nada. Nada.
Tem areia nos meus
olhos. Eu vou
refazer o mar.
Eu não durmo. Eu
não durmo. Eu não
durmo… Eu não
durmo.Eu não
durmo….
[01/08/2008 - texto escrito na madrugada.... são 08:44 da manhã, vou tentar dormir de novo]
Construi uma barreira de gelo
porque achei que gelo seria uma boa.
Frio, porém transparente.
Dava pra ver, mesmo que um pouco
embaçado, tudo o que tinha do lado de lá,
o que não era eu.
(ou talvez fosse)
Funcionou bem no dia do teste.
Cumpriu sua função de proteger,
apesar de me deixar meio fria…
Mas no outro dia,
o dia mais seco do ano
(talvez de muitos anos),
foi diferente.
Não sei se tava muito quente,
porque até meu rosto ficou um pouco vermelho…
mas é que derreteu no topo.
(quase…
quase deixei escorrer!)
Foi ruim.
Os átomos na água ficam mais dispersos,
bagunçados…
fiquei com medo que evaporasse?
Achei que fosse o tempo seco.
Eu construi uma barreira de gelo,
mas o meu tempo sempre é verão.
Todo o dia eu recomeço
Todo o dia eu recomeço
Todo o dia eu recomeço
(E se eu quisesse terminar rimando
eu diria que é em vão)
[Texto escrito hoje, enquanto eu sentia frio e a sensação boa de estar vulnerável no vão do masp, perto daqueles libertinos-que-tocam-muita-música-boa e em baixo daquele bloco de concreto]
É isso, e são 23h23min. E talvez eu goste da adrenalina de achar que um bloco de concreto pode cair na minha cabeça. A qualquer momento.
—Uma mensagem para meu parceiro: Eu troquei o layout de novo, porque aquele tinha um problema. Não aparecia quem postou o quê. E isso é um problema para um blog de duas pessoas…. (desculpa minha incompetência em não conseguir mudar, hahaha) Faça isso você, que entende dessas coisas. Brigada. É isso. —
Pati comprou apatia (pagando em sonhos)
July 28, 2008
Dão oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Pati foi lá e vendeu todos os sonhos. E como ela ainda não sabia o quanto eles valiam, ela vendeu cada ovelha por 40 reais, o infinito por oito reais, todos os morangos que ela colheu por 100 reais, o céu por cinco reais (porque era inverno e tinham poucas núvens), a caixinha azul (com a chave correspondente) por quatro reais, e toda a coleção de idéias criativas por mais 50 reais. No fim, ela cobrou 287 reais por tudo e o cara que usava o uniforme do mundo pagou com três notas de cem, além de uma dose de apatia que seria o suficiente para ela sobreviver, e disse que ela podia ficar com o troco se ela levasse um chiclete pra ele todos os dias. Ela achou aquilo bem digno, e ia ser aquilo todo o mês pelo resto do tempo que ela não sabia o quanto ia durar.
Pati passou a vestir o uniforme do mundo todos os dias, porque é regra. E, por causa da dose de apatia, ela não sentia falta dos sonhos e nem sentia falta de nada. É assim quando se é apático, você não sente falta nem de sentir falta, e isso é o que te conforta quando você não tem tempo de se emocionar com a vida.
“You try, but life is a game.”
E demorou um tempo até que Pati percebesse o que tinha acontecido com ela. Foi num dia de sol e céu-de-brigadeiro, com um pôr-do-sol laranja que lembrava algo que ela não lembrava, e ela chegou em casa mais cedo, porque passara mal enquanto fazia o que tinha que fazer. É que todo mundo passa mal quando a vida fica estranha. E eu acho que a mudança na rotina foi o motivo pelo qual ela deve ter parado pra pensar. Ela viu seu sapato jogado na sala com a sola virada pra cima e correu pra desvirar (porque diziam que isso dá azar). Foi aí que ela viu que havia uma borboleta maravilhosamente-morta-esmagada na sola de seu sapato. As cores de suas asas se misturavam, formando um desenho bonito e brilhante, e aquilo foi demais para a sua recém-comprada apatia. Ela se comoveu, mesmo tentando se controlar pensando que era só uma borboleta que ela tinha matado. Ela tinha matado! Mas era uma morte linda, colorida e brilhante. E Pati era uma assassina sorridente. Sorrindo, porque ela não tinha escolha.
Pati voltou para falar com o cara que usava o uniforme do mundo, e disse a ele que não queria mais os trezentos reais por mês, e que queria seus sonhos de volta. Ele se recusou a devolver, alegando que ela tinha vendido e “quando você vende, já era!”. Foi então que ela mostrou a borboleta esmagada pra ele, e a ofereceu em troca de todos os sonhos vendidos. O cara do uniforme olhou para aquele monte de cores misturadas e brilhantes e acho que ele meio que se perdeu ali, porque ele aceitou devolver todos os sonhos da Pati por aquela criatura tão naturalmente-morta-colorida. Pati foi embora dali pra nunca mais voltar, deixando a apatia e o uniforme. Ela foi atrás da vida e encontrou um mundo, mas esse mundo era muito grande e ela se perdeu. Pelo menos ela nunca mais vendeu seus sonhos e um dia ela percebeu que, para se achar, ela TINHA que ter se perdido. Já o cara que usava o uniforme do mundo, ele nunca mais soltou a borboleta morta, e nunca mais vestiu aquilo. E um dia, ele mascou vinte chicletes de uma vez, fazendo uma bola tão grande (tão grande), que ele saiu voando pela janela e começou a fazer parte do céu que fazia parte dos sonhos da Pati. Assim, a borboleta morta arranjou um jeito de voltar a voar no céu. Todo dia Pati olhava para o céu, e sempre tinha a sensação de que tava tudo ali, mesmo que ela não encontrasse nada. Sem falar que todo dia tinha pôr-do-sol.
E era assim: o que quiser que tenha, tinha. Tinha arrebol? Tinha. Rouxinol? Tinha. Luar do sertão, palmeira imperial, girassol, tinha. Também tinha temporal, barranco, às vezes lamaçal, o diabo. Depois bananeira, até cachoeira, mutuca, boto, urubu, horizonte, pedra, pau, trigo, joio, cactus, raios, estrela cadente, incandescências. Enfim.
- Ôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô!!!!!!!!!!!
[hoje é dia vinteoito de julho de doismileoito, e são onze-eoito da noite]
Tchau
A gift
July 28, 2008
Ursos que parecem ovelhas para luciendescai que parece lucy in the sky
Once upon a time
July 28, 2008
Espero que os meus posts sem personalidades sejam bem-vindos no meu blog recem dominado por forças nem tão estranhas e nem tão cruéis.
Sou péssimo para isso, mas se eu não começar se algum jeito vou acabar apagando umas 50x a primeira linha até desistir de postar, como eu fiz desde que criei esse blog…
Por sorte, mesmo que tal coisa não exista, conheci luciendescai, e ela me inspira a escrever…
Sempre imaginei a vida assim…
Alguns anos de tortura em uma instituição de ensino fundamental ao médio até o vestibular…
Passando no vestibular, no instante seguinte, me encontraria em um apartamento, com um carro, dinheiro e felicidade… ha-ha
Mesmo depois de aprender tanto sobre os mecanismos tortos desse planeta ainda, que incoscientemente, acreditava em tudo isso.. ha-ha
Mas essa ainda é a peça que falta no quebra-cabeça, nunca vou saber a verdade antes de abrir a porta e a chave, ainda que não seja mais dourada e brilhante como foi um dia, ainda é a chave (vestibular).
No entanto soube dar tempo ao tempo… e descobri muito mais sobre a vida, muito além do que a minha ambição material almejava, muito mais do que a minha alma artista sonhava…
Descobre-se amor, amigos, responsabilidade e a dor de perder tais coisas.
Nem mais uma palavra… já nem sei mais o que estou falando.
Boa noite e boa sorte.
Saudades de sentir saudades.
Kaio – lúcido apagado
July 26, 2008
porque eu seria capaz de me destruir
Eu me distraio da minha vida
com outras vidas
pra não ver os destroços que ficaram
como se fossem brinquedos
já que eu não consigo sair dalí
destrutivo ou destrutível
distraído ou distraidor
de mim mesmo
Eu me distrato
Eu me forço a dormir
quando meu corpo não aguenta mais sonhar
Eu me forço a comer
como os destroços, em pedaços
quando o que eu quero é vomitar
Eu me sinto vivo como nunca
como nunca antes eu desejei nunca ter nascido
pra não me destruir
detestável
distraidor
divagante
traidor
com muita esperança.
Eu editei esse post pra colocar essa música do radiohead, em homenagem a banda cover do readiohead que vai tocar hoje na funhouse.
FITTER HAPPIER
Fitter, happier, more productive,
comfortable,
not drinking too much,
regular exercise at the gym
(3 days a week),
getting on better with your associate employee contemporaries, at ease,
eating well
(no more microwave dinners and saturated fats),
a patient better driver,
a safer car
(baby smiling in back seat),
sleeping well
(no bad dreams),
no paranoia,
careful to all animals
(never washing spiders down the plughole),
keep in contact with old friends
(enjoy a drink now and then),
will frequently check credit at
(moral) bank (hole in the wall),
favors for favors,
fond but not in love,
charity standing orders,
on Sundays ring road supermarket
(no killing moths or putting boiling water on the ants),
car wash
(also on Sundays),
no longer afraid of the dark or midday shadows
nothing so ridiculously teenage and desperate,
nothing so childish – at a better pace,
slower and more calculated,
no chance of escape,
now self-employed,
concerned (but powerless),
an empowered and informed member of society
(pragmatism not idealism),
will not cry in public,
less chance of illness,
tires that grip in the wet
(shot of baby strapped in back seat),
a good memory,
still cries at a good film,
still kisses with saliva,
no longer empty and frantic
like a cat
tied to a stick,
that’s driven into
frozen winter shit
(the ability to laugh at weakness),
calm,
fitter,
healthier and more productive
a pig
in a cage
on antibiotics.
Todos os motivos pelos quais as pessoas vão embora
July 25, 2008
Ela olhou pra ele e pensou por um momento num pensamento que ela já tinha pensado antes. E, num surto psicótico, ela atirou as cobertas para o lado e colocou um disco do Elvis na vitrola. Ela pulava no colchão jogado no meio da sala, dançando a música histérica que tocava enquanto passavam as letras do filme que eles já tinham assistido. Ele ria e tentava segurar suas pernas, mas ela realmente estava tendo um surto psicótico, e ela achava que dançando loucamente sem parar, e com os olhos fechados, ela poderia sair dalí para algum lugar distante, como Paris. Ele desistiu de tentar segurá-la e, enquanto ela continuava a pular desvairadamente, ele confabulava. “Eu sinto como se eu pudesse viajar no tempo com você, sabe…você me dá a sensação de não haver tempo nem espaço. Eu me sinto nos anos 60…em algum lugar que não é esse”. “Deve ser porque a gente TÁ nos anos 60″, ela caiu no colchão e ficou ali jogada, como se estivesse morta. “Eu acho que nós podemos chegar juntos no infinito…e aí a..”. Ela deu um berro de angústia que o fez parar de falar. “O que foi?”. “Eu acho que essa foi a coisa mais legal que já me disseram, mas… cala a boca, por favor! Nós não podemos chegar JUNTOS no infinito”, ela se sentou descabeladamente, e com a mão direita ela apertava o seu pulso esquerdo. “A gente pode sim…”, ele pegava na mão esquerda dela e afastava o cabelo de seu rosto, “eu acho que…eu amo você”. Ela puxou sua mão esquerda da mão dele num susto. “Não, não, por favor não”, ela dizia num tom de pré-choro-desesperado. “Você nem PODE me amar! Você nem me conhece!”, ela assustava o garoto. “Eu não preciso….olha, você não precisa surtar! Nem dizer nada! Eu só tô te dizendo o que eu sinto”. Ela foi se levantando, abriu as janelas e olhou para o céu. “Você não deve sentir isso. Desculpa, eu não queria….eu não posso pensar sobre isso agora, eu não consigo mais. Você nem devia estar aqui. Eu acho que eu não fui sincera o suficiente, eu não te contei tudo. Eu não posso. Eu não posso, eu não consigo! Tem uma coisa que me prende, e eu fico esperando. Esperando no infinito! É por isso que nós não podemos chegar lá juntos. Eu ainda me sinto presa a essa coisa, e me dá uma sensação ruim você aqui agora..”, ela dizia de costas para ele. “Então, eu acho que vou embora”. Ela não disse nada e não se virou, ela não ia suportar aquela cena de novo. Ela ouviu os passos de sempre, o mesmo barulho da porta se abrindo, mais passos, e o barulho insuportável da porta se fechando. Ela aumentou o som, porque ela não queria escutar ele indo embora. Não que ela estivesse triste por ele ir embora. Ela só estava cansada de gente indo embora. Ela chorava, enquanto o Elvis cantava “Love me tender”. Ela tinha azar na combinação de músicas com momentos. Foi então que ela decidiu, arrumou suas coisas e, sem deixar nenhum bilhete, ela se foi. Os mesmos passos, o mesmo barulho de porta se abrindo, mais passos…e agora era ELA que estava do outro lado da porta, e ela teve o prazer de ouvir o barulho insuportável da porta se fechando. Ela colocou os fones no ouvido, porque ela não queria escutar o som de mais alguém indo embora, mesmo que fosse ela. Ela saiu voando por aí, para o infinito e talvez até além, e ninguém nunca mais soube dela. Ela ficou conhecida como A-menina-que-foi-embora-depois-que-todo-mundo-já-tinha-ido. Anos se passaram e ninguém sabia o que havia acontecido. Porém todo mundo continuava dizendo “Ela não morreu”. ∞
Essa foi a triste história das pessoas que precisam esperar morrer pra poder se libertar.
E vão em paz.
[25/07/2008 - 17:17h]
Metáforas e migalhas
July 23, 2008
“Me diz o que é o sufoco, que eu te mostro alguém a fim de te acompanhar”
[23/07/2008 - 22:47h]
This is the end. My only friend, the end.
July 22, 2008
Me, I’m just a lucky kind.
Love to hear you say that love is love.
Ela tentou colocar um Band-Aid no desenho de coração partido que ela fez em seu caderno. O Band-Aid saiu do lugar enquanto ela transportava o caderno na bolsa e as páginas ficaram coladas uma na outra. Ela nem queria mais abrir aquela página, mas mesmo assim fez um esforço que foi demais para o caderno. As páginas rasgaram. As duas. Ela chorou, porque aquilo era o fim.
Então ela colocou o disco do Elvis, o rei. E ela ouviu numa música que o Elvis roubou do Bob Dylan, ou que o Bob Dylan roubou do Elvis (o que é menos provável), que “There ain’t no use to sit and wonder why, baby”, e ela chorou, porque aquilo era o fim. Ela chorou, porque o Elvis talvez estivesse morto e porque, em vida, ele roubava músicas do Bob Dylan. E ela lembrou de uma história que ela ouviu um dia, de um cara com muita credibilidade, que depois que o Elvis morreu ele supostamente entregou isqueiros Zippo para os soldados do Vietnã. E ela lembrava bem do dia em que ouviu essa história, sentada naquela pedra gelada de beira de psicina. Ela chorou, porque ela também sentia falta do cara com credibilidade.
Ela chorou, porque era a primeira vez que ela arrancava uma flor de algum lugar, e a flor era de plástico! E aquilo era o fim!! Mas ela percebeu que o destino dela era, definitivamente, nunca arrancar uma flor de seu lugar. (Mas como que ela não percebeu que a flor era de plástico?). Ela lembrou de quando uma vez ela ganhou flores, de um cara com uma boina que a esperava na porta do colégio. Ela pensou em como tinha sido ridículo o fato dela ter tentado fugir quando ela viu o cara com as flores. Ela até lembrou que ao invés de dizer ‘obrigada’ e sorrir, ela perguntou ‘O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI!?’
Ela percebeu que ela não tinha escrúpulos mesmo. Que talvez ela já tivesse detonado a vida de muita gente com colocações agresssivas. E que devia ser por isso que ela estava sentada naquela mesa para quatro pessoas completamente sozinha, e que quando grupos de três ou quatro pessoas chegavam e olhavam pra ela com cara de mau-humor, por ela estar ocupando SOZINHA o lugar de quatro pessoas mais confortável do recinto, ela só fingia que não via e continuava escondida atrás da montanha de guardanapos que ela tinha feito. Ela chorou, porque aquilo era o fim, e porque ela estava acabando com o meio-ambiente desperdiçando todos aqueles guardanapos.
Então ela pensou sobre a sua vida e percebeu que essa história era muito normal, porque todo mundo chora, todo mundo gosta do Elvis, mesmo que ele cante músicas do Bob Dylan, todo mundo confunde flores de plástico com flores de verdade às vezes (ela esperava), todo mundo faz colocações agressivas quando não deve, e todo mundo acaba com o meio-ambiente.
Daí ela olhou pro andar de baixo e tinha um garoto bonito lendo um jornal, tomando um café e aquele shot de águinha nojenta com gás. E ele tava do lado do vaso de flores de plástico. E ele tava ouvindo música, o que podia significar que havia alguma probabilidade dele estar escutando o Elvis cantando alguma música do Bob. E ela pensou: poxa, como a vida é comum.
Então um mini-disco-voador adentrou no recinto e abdusiu o garoto bonito com o jornal e o café (menos a águinha nojenta com gás). E o mini-disco-voador ficou pairando sobre a mesa dela por um momento, até que despejou o garoto bonito do outro lado de sua mesa. Ele ficou olhando pra ela, enquanto enrolava uma folha do jornal de maneira bem fina. Ela usou o poder de sua mente para produzir uma bola de fogo com as mãos e acendeu o cigarro de folha de jornal do garoto bonito. Mas ela tava de saco cheio de tudo aquilo e atirou a bola de fogo pra incendiar as pessoas que a olhavam com cara de mau-humor. Um cheiro de churrasco invadia as narinas dos dois. O menino tirou sua fenix de estimação da mochila e começou a alimentá-la com as cinzas do cigarro.
- Nossa, eu adoro fenix!
- Você também não acha que a vida é comum?
- Ah, o destino…
Os dois choravam de emoção, porque aquilo era o fim, e porque a vida era muito comum. E quando os dois estavam saindo juntos do recinto, de mãos dadas, o menino arrancou uma das flores do vaso de flores de plástico e romanticamente deu a ela. Ela sorriu e disse ‘obrigada’, e ele chorou, porque aquilo era o fim.
Someday when we’re dreaming,
Deep in love, not a lot to say…
Then we will remember
Things we said today.
às vezes eu páro pra ler o que eu escrevo e eu penso “caramba, que tosco.”
[22/07/2008 - 23:54. E já é quase amanhã...]
Memórias do subsolo
July 21, 2008
E eu que achei que tinha virado outra pessoa…
Agora eu achei este texto aqui, de 6 meses atrás… e percebi que eu ainda sou a mesma. Que droga de personalidade inflexível.
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TRANSTORNO BIPOLAR
Ela nem sabe mais o que a sufoca. Ela não sabe nada, diga-se de passagem. Ela só sente e sente tanto que sente que já não sente mais nada. Ou que não há nada para ser sentido.
Talvez nada seja real mesmo e eu estou aqui perdendo meu tempo com essas coisas sem sentido algum. Eu só queria voltar ao normal. Aquelas estrelas! São tantas e elas estão tão incrivelmente intensas que vê-se até através das nuvens!
Ela voltou a achar um fato estranho em ter tantas estrelas. Ela simplesmente não se importa mais.
Ela queria que toda essa viagem alucinante que ela tem sentido virasse um filme. Para que todos pudessem compartilhar dessa experiência. Mas ela pensa que isso geraria um caos total. Uma crise existencial em escala global que abalaria toda a sociedade.
Não. As pessoas não são mais assim. As pessoas sofrem a catarse, mas alguns minutos depois elas já se esqueceram. Elas têm sentimentos muito passageiros. Elas só querem viver a vida delas. Elas se encontram aqui, esse é o contexo, não há porquê mudar. Elas não vêem razão pra isso. E elas estão certas. Porque não há razão, de fato.
O que é transtorno bipolar?
[texto escrito em 09 de janeiro de 2008 - por volta da uma da manhã]
21/07/2008 – 23:23h
Você é a versão vermelha do verde ou vice-versa
July 21, 2008
Eu quero ver de novo
Eu quero ver novo
verde vermelho
de verdade
Eu abro todas as janelas
pra poder ver melhor
o vento
o verde e o vermelho
de novo
Eu penso bem antes de abrir cada uma
Ou vice-versa
Eu nem penso
de verdade
O vento, que é tipo um sentimento
às vezes fecha as janelas
Mas eu abro de novo
Eu não canso de ver
Ver novo
Ver de novo
Eu só canso de abrir janelas
Verde vermelho
Vice-versa
Eu quero ver verdade
Verde verdade
mesmo que seja de novo
[21/07/2008 - 10:45a.m]
“-Você parece o Céu cinco minutos antes da tempestade…
- Você também.”
“Você perde o medo que é parecido com o que sentem os animais escondidos atrás de sofás ou debaixo de escadas. Você tem coragem e escala muros, diz adeus, bate a porta e o som surdo não incomoda. Você atravessa as ruas, não olha para os lados, caminha pelas bordas, não olha para baixo. Você segue até o fim, vira às esquerdas, paga o quanto eles querem. E é assim que acontece a partir de agora.”
Confissões da meia-noite
July 21, 2008
Sugiro que não leiam isso, pois é só um desabafo de insônia.
Se você não desistiu ainda, por favor…desista agora! sério. Não leia isso, não é nada. (hahaha, isso é um aviso tão estúpido. Ninguém entra aqui, menina!)
Agora que eu tenho insônia (eu nunca tinha sofrido de insônia. às vezes eu não conseguia dormir e achava que era insônia, mas só agora eu sei o que é insônia de verdade), quer dizer… não SÓ porquê eu tenho insônia, mas sim por vários motivos, um deles é a minha insônia. (insônia é uma palavra muito feia, é tão ruim ter que lê-la tantas vezes, desculpem-me) Mas enfim…agora que eu tenho esse ‘probleminha’, e que eu quase não tenho ninguém pra conversar, eu fico escrevendo aqui. Eu moro aqui agora, sabiam? Isso aqui fica quase o dia todo aberto, pra qualquer escrita de emergência. E tem meu caderno preto também. Eu tenho um novo caderno, pra escritas de emergência FORA DE CASA. É que às vezes não tem ninguém ao redor, e eu preciso falaaaar, entende? Então, meu caderno tem a capa preta e as folhas coloridas. Eu me sinto tão diferente. Eu até cortei meu próprio cabelo hoje. Tenho que admitir, eu quase fudi com tudo. Mas cabelo cresce… e eu fico ouvindo música, pra casa não ficar muito silenciosa. Às vezes eu até ligo a tv, só pra fazer som. Eu saio de casa e converso com pessoas desconhecidas. E por isso eu tenho tomado muito café, deve ser um dos motivos da minha insônia. Porque eu não posso simplesmente sentar nos cafés sem pedir nada. Eu não gosto de férias, todos os dias parecem domingo, e eu sempre detestei domingo. No domingo de sábado eu fui assistir a uma peça incrível! Aliás eu tenho assistido a muitas peças. E filmes. O cara da locadora fica insistindo pra eu fazer o plano de tíquetis, porque eu apareço lá TODOS OS DIAS. Eu me sinto confortável aqui. Apesar dos tons-pasteis dessa página. É que tem outra pessoa que mora aqui, e na verdade a casa é dela, eu não posso ficar mudando as coisas. Se bem que ela nem lembra que isso existe, se vocês perceberam…só eu escrevo aqui. Um dia eu vou mudar, é que me dá preguiça. E eu até que estou convivendo bem com minha nova insônia, minha nova necessidade de ESCREVER TODA A PORCARIA QUE VEM NA MINHA CABEÇA, meus novos cafés de todos os dias, minhas novas roupas esquisitas, meu novo cabelo que eu mesma cortei e quase fudi com tudo… eu até mudei a posição dos móveis no meu quarto! Eu não tava suportando todas as lembranças de todos os cantos do meu quarto. Eu TIVE que mudar. Todas as partes do meu quarto me obrigaram a mudar. Também tem as novas músicas que eu escuto, os novos livros que eu leio… é tudo novo, tudo esquisito. Parece, às vezes, que meu corpo fica rejeitando essas coisas, porque eu passo mal, me dá nervoso, angústia, eu fico procurando coisas que eu não sei o que são. Eu fico abrindo minhas caixas de lembranças e procurando vestígios de quem eu fui, porque é como se eu não me lembrasse mais. Faz tanto tempo. Eu fico olhando minha cara no espelho e percebendo as seqüelas que ficaram na minha pele, no meu corpo. Minhas roupas ficaram largas, eu tive que comprar tudo novo e menor (e olha que eu já sou BEM pequena). Eu fico tentando abstrair aquele perfume que parece que ficou em tudo. Eu achei que eu não fosse aguentar, e eu me perdi tentando ficar forte. Agora eu fico fraca tentando me encontrar de novo.
Porém, quando eu fecho só um olho, eu ainda vejo o mundo diferente do que eu vejo com o outro olho. Eu fico na frente do espelho fechando um olho, e depois o outro. E parecem duas pessoas diferentes, sendo a mesma pessoa. Os dois olhos juntos enganam muito a gente. Aliás, todos os meus sentidos me enganaram. E agora eles ficam toda a hora me lembrando disso.
Se você leu isso aqui… me desculpa, eu avisei. De consolo, uma musiquinha legal:
“Tô vendo de baixo pra poder subir.
tô vendo de cima pra poder cair.
tô divido pra poder sobrar.
desperdiçando pra poder faltar.
devagarinho pra poder caber,
bem de leve pra não perdoar.
tô estudando pra saber ignorar,
eu tô aqui comendo para vomitar.
Eu tô te explicando pra te confundir,
Eu tô te confundindo pra te esclarecer,
Tô iluminado pra poder cegar,
Tô ficando cego pra poder guiar.
Suavemente pra poder rasgar
com o olho fechado pra te ver melhor
com alegria pra poder chorar
desesperado pra ter paciência
carinhoso pra poder ferir
lentamente pra não atrasar
atrás da vida pra poder morrer
eu tô me despedindo pra poder voltar”
21/07/2008 – meia-noite e qualquer coisa.
Caramba! Amanhã é domingo-segunda!
Dá licença. Eu vou voltar pra minha insônia. Eu tô ansiosa pra saber o que vai ser do meu cabelo amanhã! E amanhã eu vou colocar alguma coisa que preste aqui. Juro. Eu juro pela sua vida!
“And for a minute there, I lost myself”
Um conto desesperado (!!!)
July 20, 2008
“O que você tá fazendo, Arthur?! Onde a gente tá?!”. O apresentador tentava entreguar-lhe as chaves do carro efusivamente, seguindo-o pelo palco, mas Arthur não dava mais atenção a ele. Arthur pegou o celular, as chaves do carro da mão do apresentador e atirou no poço escuro dentro da porta vermelha. Marcia deu um berro de angústia. “O que você tá fazendo, seu louco?! Aaah, me larga!”. Arthur não pensava em largá-la. Não pensava em largá-la nunca! Ele sabia pra onde queria ir, e sabia que queria Marcia ao seu lado. Ele foi puxando-a, quase arrastando-a, para a porta azul. Ela gritava e se debatia e ele a atirou lá dentro. Ela sumiu numa coisa que parecia um redemoinho no ar, e ele se atirou atrás dela. A porta azul se fechou. A porta vermelha se fechou. A porta amarela se fechou. E todas as portas foram retiradas do palco no intervalo comercial.
20/07/2008 – 13:13h
Um dia alguém vai achar isso aqui.
Achados de um caderno velho
July 19, 2008
Vento na escada
Vento na escada da Gazeta
É muito vento
É frio
O vento me faz lembrar que há coisas que existem e a gente não vê, só sente. Será que o vento é tipo um sentimento? Eu não devo escrever “tipo”, mas ele se encaixa bem na frase. Eu penso em pessoas ao mesmo tempo que penso no vento, logo o vento poderia trazer pessoas. Eu preciso de pessoas. Algumas pessoas. As pessoas certas. Não é legal ficar sozinha, no frio, no vento, esperando. Esperando o quê? Que o vento traga algo além de frio. Repare que eu disse “além de”, o que significa que eu ainda quero o frio. E eu quero, de fato. O frio é bom nesse momento. Pausa para olhar ao redor e sentir frio.
Tem muita gente nessa cidade, mas todo mundo anda sozinho. As pessoas devem pensar bastante, tanto quanto eu. Elas só não devem reparar nisso. É importante perceber que se está pensando.
O sinal… mais um sinal e nada das pessoas…eu já estou ficando cansada, e com frio, e com medo. E medo não é legal. Vento é. Vento é tipo um ar correndo. De novo, eu não devo usar “tipo”. Será que ar tem pressa?
Eu tive que sair da escada, porque o vento começou a machucar. Vento que machuca não é bom, a não ser que ele vá trazer alguém, aí a gente sempre aguenta um pouquinho. E se você não tem certeza se ele vai trazer alguém, dói mais ainda. Então eu saí, e eu continuo aflita, porque a gente nunca tem o tempo que precisa. O tempo vai passando e a gente continua no vento.
Quando a gente espera tanto uma pessoa, a gente fica achando que todas as outras são estúpidas. O vento poderia levar todas elas e ponto final.
Outros pensamentos na mesma folha:
“Eu quero escrever tudo o que eu penso nessa folha, mas alguma hora ela vai acabar e eu não vou querer mudar de folha.”
“Tem um vento horrível…o mundo deve acabar, enfim. O mundo deve acabar em fim.”
“12:12″
“Eu não gostava tanto do Nogueira. Hoje eu gosto mais, porque também há vida dentro dele. Eu acho.”
“Eu queria um edredon agora.”
“Não consigo parar de pensar em plena quarta-feira!!!”
“Porque não. Por que eles não saem daqui? Vão embora! Se eu tivesse uma arma agora…eu a usaria.”
“Isso também vai passar?”
“Eu não me importo mais.”
“12:21″
“You said you’d come, but you just don’t care! Run with the wind.”
“Eu gosto tanto de você, como se você me ouvisse…”
“Nunca tentei pentear o cabelo bêbada.”
“Coitada dessa pessoa que faz propaganda do Objetivo.”
“FRIO!”
“Eu quero ir embora daqui.”
“E se eu quiser dizer…não queira me ouvir.”
“Capuccino kopenhagen”
“Eu quero voltar para o Canadá.”
“Torta brownie Havanna.”
“Eu não me lembro como se faz para relaxar nessas horas.”
“Pássaro do ovo, ovo do ninho, ninho da folha, folha do galho, galho do broto, broto da árvore da montanha o-le-i-a-ô.”
“Escrever não está ajudando.”
“Não tenho mais espaço!!”
“I got soul, but I’m not a soldier
I got soul, but I’m not a soldier
(Time cure hearts)”
Qualquer semelhança é mera coincidência
July 18, 2008
E vai a meia-fina com buraco, assim mesmo. Afinal, se tem um vazio, é porque antes tinha alguma coisa. E o bom é pensar que você sente falta do que tinha ali. Uma meia-fina com buraco é só uma meia-fina com buraco. Ela vai ficando velha, e esticando…às vezes ela não aguenta mesmo, mas ela continua a ser uma meia-fina.
Essa foi a última coisa que ela pensou antes de virar para o lado, abraçar o edredon multi-colorido, olhar para céu uma última vez, e se perguntar…o que ia restar disso tudo amanhã de manhã?
02:02 a.m.
18/07/2008
“This is fact, not fiction. For the first time in years.”
Eu vim aqui, e vomitei tudo isso. Ninguém lê essa porcaria mesmo…
“É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas.” (Clarice Lispector)
Oito minutos, oito segundos e sete clicks + o pertubador fim de Olavinho
Ele abre os olhos e se depara com sua cara no espelho, assustada, de uma confusão embriagadora, que deixa a cabeça vazia, branca. Percebe o banheiro, joga água na cara, se sacode, desperta, duvida.
Coloca o cachecol, escova os dentes, carrega a pistola, pega uma laranja…abre a porta para a rua, mecanicamente, como se fizesse aquilo todos os dias.
Cachorro morto.
Fecha os olhos, aperta-os por sete segundos, abre. Cachorro ensanguentado?
Estranho.
Volta para a casa. Fecha a porta, tira o cachecol, descasca a laranja, carrega a pistola, sai com os olhos fechados. Inspira profundamente e sente o cheiro podre do sangue seco e da decomposição. Sem abrir os olhos, entra em casa. Lava o cachecol, come a laranja, carrega a pistola, pega um chiclete e sai, decidido.
Cachorro morto. Ele não entende. Pára, pensa, olha ao redor. Agacha. Amarra o sapato, pega um graveto e cutuca o cachorro, inutilmente.
Dá um salto, coloca as mãos na cabeça. Grita, chora, gira no sentido anti-horário.
Entra em casa, pega o cachecol – molhado- as cascas da laranja, e a pistola carregada.
Sai de casa. Ele nunca fez isso tantas vezes.
Cachorro morto, duro, gelado, roxo, ensanguentado. Ele suspira, dá um berro, chuta o cachorro para uma posição mais estratégica. Sobe no telhado. Coloca o cachecol – pingando, calculadamente na beirada das telhas, com a metade da metade gentilmente balançando, solta no ar. Cospe o chiclete, enfia as cascas de laranja na boca e, lá do alto, dá quatro tiros no cachorro morto, um no vizinho e um na própria cabeça.
Um texto estranho, cujo autor é só alguém que já passou. Desculpem-me pelas coisas que se passam na minha cabeça.
“We all know Ob-La-Di Ob-La-Da
But can you show me, where you are?”
[09/06/08 - 04:04pm]